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POLLYANA TRINDADE

THE FAWKES

  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 4 de mar.
  • 6 min de leitura

Irana Purple é o pseudónimo de Diana Rodrigues, uma escritora que encontra na complexidade das emoções humanas a matéria-prima para as suas obras. Nascida em Vila Nova de Gaia e apaixonada pela noite, pela lua e por romances clássicos, utiliza a escrita para explorar as profundezas da alma e a intensidade de personagens turbulentos. O que começou com versos de poesia e uma paixão pela melancolia transformou-se num estilo literário lírico, onde a dor e a esperança caminham lado a lado.


​A sua obra "Acredita no Amor" tem conquistado leitores pela sua abordagem sobre o luto, a autossabotagem e a redenção. Através da história de uma pintora que perdeu o brilho das suas cores após uma perda devastadora, a autora mergulha em temas densos como a depressão, conduzindo o leitor por uma viagem profunda e romântica.

Numa entrevista exclusiva para o The Fawkes, Irana Purple partilha detalhes sobre o seu processo criativo, a sua ligação com a arte e como a escrita a ajuda a dar voz às batalhas silenciosas que muitos enfrentam.




1 - Como foi o seu início na escrita e em que momento você percebeu que precisava compartilhar suas histórias com o público?


Já escrevo há muito tempo, mas só agora estou a começar a encontrar a minha voz como autora, depois de sentir que, sim, “é isto que quero escrever”. Encontrei um propósito. Usar a minha dor e canalizá-la em histórias de personagens reais. Ou seja, agora sei o que quero escrever, e não o que se espera uma autora escrever, isto é, escrever romances baseados nas ondas, nas modas. Não quero isso.


2 - Como você enxerga o atual mercado editorial em Portugal para novos autores? É um ambiente acolhedor para gêneros como o romance contemporâneo?


Sinceramente, é muito complicado. As editoras mais tradicionais não acolhem muito bem novos autores; só as novas editoras, as que estão a começar a crescer… 


3 - Você sente que ainda existem barreiras (sejam elas de vocabulário ou de preconceito editorial) para que leitores de outros países lusófonos, como o Brasil, consumam a literatura produzida em Portugal?


Por incrível que pareça, penso que não. Vendi mais ebooks do que esperava na Amazon Kindle Brasil, então sem dúvida não é uma barreira. Acho que é uma oportunidade para conhecerem a língua, o nosso estilo, a nossa cultura, e também penso que a língua de algum modo encanta os brasileiros, por causa da diferença de construção das frases… 



4 - Com o Kindle e as plataformas digitais, sua obra atravessa oceanos. Como tem sido o feedback de leitores fora de Portugal?


Vendi alguns ebooks nos Estados Unidos, mas não tive feedback. Até fiquei admirada por ter vendido nos Estados Unidos. Já no Brasil, o feedback é muito bom. Acho que os leitores estão mais concentrados na mensagem da história do que propriamente no erotismo, e isso é bom! Eu gosto!


5 - Como é o seu processo de escrita? Você é uma autora de "planejamento" (que sabe todo o roteiro) ou de "descoberta" (que deixa os personagens guiarem a trama)?


Sou de “descoberta”. Mas ultimamente tenho tirado apontamentos, mas não sei se alguma vez irei usá-los. Gosto de escrever com o coração aberto, de seguir a voz interior.


6 - O título "Acredita no Amor" parece desafiar tanto os personagens quanto o leitor. Por que a escolha desse título e o que ele representa para você hoje?


Desafia bastante, não é? Especialmente a Ariana… Acontece sempre algo que parece querer roubar a capacidade de acreditar num sentimento tão poderoso. Mas ela prova que é forte, mesmo quando parece que vai desistir. 

O Daniel é mais firme… Ele nunca desiste dela.

Hoje para mim representa tudo, tudo o que vivo, tudo o que vivi. Faz muito sentido na minha vida, sabes. Por isso é que é tão especial e íntimo.



7 - A arte é um pilar no seu livro. Por que você escolheu esse universo artístico como pano de fundo e como ele ajuda a contar a história de amor dos protagonistas?


Eu escolhi a arte especialmente para conseguir adaptar os meus sentimentos “artísticos” à pintora Ariana. Muitas das emoções que ela sente são baseadas nas minhas. Foi muito interessante procurar “imagens” que retratassem os sentimentos dos dois. A Ariana pinta para não desmoronar completamente, o Daniel pinta também com o mesmo propósito, mas com luz. Quando a conhece, ele praticamente passa a pintar para ela. 


8 - Você também possui uma conexão pessoal com as artes visuais, ou a pesquisa foi o que te guiou para descrever esse mundo com tanta propriedade?


Será que eu tenho uma conexão com as artes visuais? Eu gosto de artes, é verdade, gosto de pinturas, mas tenho de entender o que significam, caso contrário não captam a minha atenção. Eu baseei-me no que já vi e observei. Por exemplo, comprei um livro de Monet, que gostei muito do estilo da pintura. Carateriza-se pela luz, que é justamente como o Daniel pinta.


9 - O luto é um tema delicado e as vezes difícil de abordar. Para mim como escritora é algo desafiador de se escrever. Como foi equilibrar a leveza de um romance com a profundidade e o peso emocional de quem está lidando com a superação e o processo de luto?


Eu acho que o luto é difícil no sentido de ser inesperado. Aquelas mortes que acontecem e que nos deixam a pensar… Porquê? É o que acontece no livro. A Ariana ficou suspensa no tempo e nessa questão. Depois, foi tudo construção da personagem. Explosiva, enraivecida com o destino, numa idade muito precoce. Imagina teres 20 anos e o teu grande amor morrer? Claro que não é fácil. É muito sentimento e muita emoção para se gerir nessa idade. Eu até acho que é traumatizante, mas não posso falar com o fator experiência própria. 

O Daniel é o ponto de equilíbrio da Ariana (essa leveza do romance que falas), calmo, paciente, compreensivo, quase bom demais para ser verdade. 

A Helena também é outro ponto de equilíbrio da Ariana. A amiga que está sempre lá e que não tem preconceitos com nada do que a amiga sente. É muito difícil encontrar amigas assim, mas é possível.



10 - Você acredita que o amor, nas suas diversas formas, 

é a única ferramenta capaz de preencher o vazio deixado pelo luto, ou a arte tem um papel igual nessa balança?


O amor é um sentimento tão puro, bonito e forte. Parece simples, mas é tão difícil de escrever sobre o amor… A dificuldade reside nas personalidades, nas histórias que os personagens trazem, nos valores que possuem. O encontro de duas pessoas é sempre um encaixe disso. Ou resulta. Ou não resulta. Ou desistem. Ou não desistem.

Eu acho que o amor não é a única fonte de preencher o vazio. Acho que a fé em Deus também é. A Ariana demorou muito a perceber isso. O único escapismo dela eram as pinturas. É um pouco triste, porque ela está sozinha, a pintar, enraivecida, cheia de dor, de angústia, e eu acho isso muito triste. Na verdade, sei que é muito triste, porque já tive momentos assim, em que escrevia, sozinha… como ela.


11 - Qual dos personagens foi o mais difícil de construir? Existe algum traço neles que foi inspirado em alguém real ou em você mesma?


Nenhum foi difícil. No entanto, no início a Mariana estava a ser um enigma para mim. Até que decidi que iria por outro caminho em relação a ela. Um que fizesse a Ariana crescer.

A Ariana é muito inspirada em mim. Ela é pintora deliberadamente, como forma de eu poder canalizar os meus sentimentos para ela. 


12 - Tem alguma cena que você escreveu e que acabou ficando de fora da versão final, mas que você guarda com carinho na memória?


Não tenho nenhuma cena que tenha ficado de fora. O que pode acontecer é que a história é tão especial para mim, tem um propósito tão positivo por entre tantos testes da vida da Ariana, que acabo sempre por reler e, consequentemente, acrescentar detalhes delicados e poéticos numa nova edição.



13 - Se você pudesse definir a essência da mensagem que os protagonistas de "Acredita no Amor" deixam para o mundo, qual seria?


Simples. Nunca parem de sonhar, nem de acreditar nos próprios sonhos, ou numa vida com sentido e propósito. O amor acaba sempre por chegar… e depois o caminho começa.


14 - Por fim, o que você diria aos seus futuros leitores? Estes que estão lendo a entrevista nesse exato momento e se interessaram pela sua obra? 


Podes esperar mais romances emocionais, com personagens quebrados, sem filtros nas emoções ou sentimentos, com imperfeições e falhas, com dores de crescimento, que cometem erros mas admitem e aprendem… e com o erotismo sensual como parte do amor que une duas pessoas. Hot garantido! Emoção garantida!


Capa da obra "Acredita no Amor"
Capa da obra "Acredita no Amor"

"Acredita no Amor" se encontra disponível para compra na Amazon!

Siga a Irana Purple para ficar por dentro de mais novidades e novos lançamentos!


Informações Extras:


Reportagem: Pollyana Trindade

Convidada: Irana Purple

Fotografia: Irana Purple



 
 
 
  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 16 de jan.
  • 3 min de leitura

× Número de páginas: 107

× Autor: Leblon Carter

× Gênero: Comédia romântica

× Classificação: +14



"Vale Tudo para Conquistar o Irmão da Noiva" é aquele tipo de história que mistura cotidiano, trabalho, amizade e romance de um jeito envolvente!

O livro se passa em um ambiente que respira moda, e como alguém formada em design de moda, simplesmente pirei!

A maior parte da história acontece dentro do Sidinha Noivas, e o cuidado do autor ao descrever tecidos, modelagens e detalhes técnicos é delicioso de se ler. É o tipo de ambientação rica que faz a gente acreditar em cada cena.



E se tem uma coisa que esse livro entrega muito bem, é humor!

Ítalo é um protagonista simplesmente maravilhoso. Engraçado, atrapalhado, sarcástico na medida certa e dono de um humor ácido que me fez sorrir várias vezes, ele é aquele tipo de personagem que se mete em situações desastrosas com uma naturalidade impressionante (e eu amei acompanhar cada uma delas).


Ainda sobre nosso querido protagonista, ele também carrega uma dualidade muito interessante. Ele é tímido quando o assunto é amor, inseguro em alguns momentos, mas, ao mesmo tempo, excêntrico, impulsivo e totalmente capaz de se colocar em apuros sozinho. Um dos exemplos mais icônicos? Quando ele coloca uma aliança caríssima só pra tirar foto e postar nas redes sociais… E depois passa sufoco tentando tirar. Vê se pode uma coisas dessas!?



A amizade entre Ítalo e Rogê é outro ponto alto da história. Existe ali uma parceria bonita e sincera. Eles se acobertam, se apoiam, guardam segredos e estão sempre prontos pra dar aquela força quando tudo parece dar errado. É uma amizade escrita com carinho, daquelas que a gente sente vontade de ter.


Já a Sidinha, chefe da nossa duplinha dinâmica e dona do Sidinha Noivas, preciso confessar que no começo eu não gostei dela.

Porém, com o tempo, fui me divertindo muito com suas interações com Ítalo e Rogê. Ela é aquela chefe que pega no pé (muitas vezes com razão), dá bronca, exige, mas que no fundo gosta dos funcionários e os respeita, cada um à sua maneira.



E o que dizer do romance?

Ele acontece de forma leve, natural e sem pressa. As cenas são fofas, cheias de pequenos gestos, e em vários momentos eu realmente me senti assistindo a uma Sessão da Tarde, que inclusive o próprio protagonista faz essa brincadeira. É aquele tipo de romance que não precisa de grandes conflitos pra funcionar porque ele simplesmente flui.



O livro fala sobre se permitir sentir, sobre encontros improváveis e sobre como o amor pode surgir no meio da bagunça, da rotina e das confusões do dia a dia.


Curiosidades relevantes sobre o livro que vocês PRECISAM saber:

  1. O livro foi inspirado na série nacional Tapas & Beijos (e sim, isso explica MUITA coisa)

  2. A obra conta com um extra de 23 páginas, também disponível na Amazon, um presentinho pra quem não quer se despedir tão cedo dos personagens.

  3. O livro possui VÁRIAS ilustrações lindíssimas dos personagens, inclusive, até quadrinhos viu?



Com escrita divertida e extremamente carismática, "Vale Tudo para Conquistar o Irmão da Noiva" é perfeito pra quem busca um romance leve e engraçado.



Informações extras:


Fotografias: Pollyana Trindade

Texto: Pollyana Trindade

Conteúdo disponível também no Instagram!

Siga o autor: @lebloncarter

Onde adquirir a obra: Amazon


 
 
 
  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 16 de dez. de 2025
  • 9 min de leitura

Manuella Monteiro é uma mulher Trans, feminista e apaixonada por contar histórias que inspiram, empoderam e transformam. Desde a adolescência, os livros foram seu refúgio e hoje, através da escrita, constroí mundos onde o amor, a superação e a autenticidade são protagonistas.

Seu livro de Natal "Derretendo Corações", uma publicação independente na Amazon, está conquistando leitores devido a sua narrativa leve, inspiradora e mágica, abordando ainda temas como superação, tradicionalismo, diferenças culturais e preconceito de forma delicada e sensível.

Em uma entrevista exclusiva para o The Fawkes, Manuella Monteiro conta sobre sua trajetória como escritora, dificuldades, curiosidades sobre sua obra e sua relação com o Natal.


1. Antes de tudo, quem é você quando não está escrevendo? O que te move, te inspira e te faz sentar para contar histórias?


Sou antes de tudo uma leitora voraz e uma consumidora de narrativas. Amo mergulhar em histórias, seja nas páginas de um livro, no dinamismo de um filme, em séries ou animes. Essa paixão por universos é o que me move. A inspiração, para mim, chega a todo momento. Desde pequena, depois de ler ou assistir a algo muito interessante, eu reinventava a história na minha mente, do meu jeito. Essa necessidade de transformar ideias em contos e de eternizá-las nos livros, dando-lhes a minha voz e o meu toque, é o que me faz sentar e escrever. É a minha forma de participar ativamente da magia.


2. Derretendo Corações é um conto natalino, mas vai muito além do clichê. O que o Natal representa para você como pessoa e como escritora?


O Natal, para mim, transcende o comércio e a correria. É uma época profundamente ligada à gratidão, união e, acima de tudo, esperança. Como escritora, o Natal é a ferramenta perfeita para confrontar o frio do ceticismo. Eu quis transmitir tudo isso neste conto: uma mensagem de esperança e fé, mostrando que mesmo os corações mais gelados podem ser tocados pela magia. O Natal representa o milagre do recomeço, a chance de deixar o passado para trás e acolher a luz — e essa é a essência da jornada de Noely e Henry na Lapônia.


3. Sendo uma mulher trans escrevendo ficção, como sua vivência influencia, consciente ou inconscientemente, as histórias que você escolhe contar?


Minha vivência é a força motriz por trás da minha escrita. Sendo uma mulher trans em um mundo que, frequentemente, busca nos invisibilizar ou nos apagar, meu maior desejo e missão literária é trazer representatividade autêntica para outras pessoas que, como eu, raramente se viam refletidas em personagens que tivessem finais felizes.

Minhas histórias, conscientemente, sempre focam no empoderamento e no crescimento da protagonista. Eu quero mostrar que ser trans não nos impede de amar e de sermos amadas da maneira digna que merecemos. Minha escrita é um ato de resistência que prova que podemos ser muito mais do que um segredo, um fetiche ou uma nota de rodapé trágica. Nós somos as protagonistas das nossas próprias narrativas de amor e sucesso.



4. Sua personagem, Noely Silva, é retratada com afeto, desejo, força e humanidade. O que você sentiu que precisava existir na literatura e ainda não existia, quando começou a escrever esse conto tão sensível e cheio de vida?


Eu sou uma leitora que ama histórias natalinas – o aconchego, a magia, os finais felizes. Mas, olhando para o vasto catálogo desse gênero, percebi que nunca li ou assisti a mulheres como eu ocupando o centro dessas narrativas. Eu nunca vi uma protagonista trans ser a responsável por acender a luz do Natal.

Foi aí que me perguntei: 'Por que não criar também o nosso espaço nesta data tão cara para mim?'

O que precisava existir era a simplicidade do romance e da magia para mulheres trans. Noely Silva nasce dessa necessidade: ela é a prova de que a nossa história também merece ser contada em tons de verde esmeralda, neve e muito amor. Ela precisava ser vista como uma heroína de romance natalino, com todo o afeto, desejo e humanidade que isso implica.


5. Muitas narrativas trans focam apenas na dor e na violência, o que é de extrema importância para causar impacto, visibilidade e reflexão. Porém, sua história retrata de forma extremamente delicada o preconceito e a resistência à diferença. Foi um posicionamento intencional escrever uma história de amor, aconchego e final quentinho?


Com certeza foi um posicionamento intencional. As narrativas sobre a dor e a violência são cruciais, pois geram visibilidade e reflexão sobre a nossa realidade. No entanto, para mim, um conto de Natal deve ser como um abraço caloroso ou um chocolate quente em um dia frio; deve aquecer, acolher e trazer esperança.

Eu quis que 'Derretendo Corações' fosse um refúgio. É uma história que, sim, toca na delicadeza do preconceito e na resistência à diferença através da jornada de Henry, mas seu foco principal é provar que merecemos o direito à felicidade. Escrever um final quentinho foi um ato de carinho e resistência, mostrando que a nossa comunidade também tem o direito de ser protagonista de romances cheios de aconchego.


6. Falando dos protagonistas, qual deles mais te desafiou emocionalmente durante a escrita e qual te deu mais conforto?


O personagem que mais me desafiou foi, sem dúvida, Henry Halonen. Entrar na pele de um homem tão conservador e tradicionalista me exigiu um grande treino de empatia emocional. Foi desafiador dar voz à sua dor e ao seu medo, permitindo que o leitor entendesse o porquê de suas barreiras, mesmo que sua visão de mundo fosse oposta à minha. Henry me forçou a ir além do julgamento.

Já Noely foi o meu grande conforto. Ela é a materialização da força e da resiliência. É aquela mulher que não se intimida e que vai atrás do que deseja, mesmo que isso signifique a coragem de voar para um novo país, uma nova cultura e recomeçar do zero na Lapônia. Noely representa a esperança teimosa que eu desejo para todas as leitoras.


Noely e Henry, protagonistas da obra "Derretendo Corações", por Manuella Monteiro
Noely e Henry, protagonistas da obra "Derretendo Corações", por Manuella Monteiro

7. A escolha da Lapônia como cenário traz magia, frio e isolamento. É um local não muito comum também para cenário de romance, risos. Qual foi sua inspiração para o escolher?


A Lapônia foi escolhida precisamente por ser o cenário ideal para o choque cultural e emocional dos nossos protagonistas. De um lado, temos Noely, brasileira, que é quente, sonhadora e cheia de vida. Do outro, temos Henry, finlandês, que é frio, pragmático e um tanto recluso. Eu precisava de um ambiente que amplificasse essas diferenças, e o frio polar fez isso de forma brilhante.

Além disso, a Lapônia é a terra do Papai Noel, o berço oficial do Natal, e um lugar surpreendentemente pouco explorado na ficção romântica. Essa combinação de magia, isolamento e paisagens inóspitas, banhadas pela Aurora Boreal, tornou-se o palco perfeito e exclusivo para abrigar a história de amor inesperada e poderosa de Noely e Henry.


8. Como mulher trans publicando sua obra, o que significa ocupar esse espaço na literatura e ser lida por pessoas que talvez nunca tenham tido contato com uma história trans antes?


Ocupar este espaço na literatura significa, acima de tudo, validar a existência da minha comunidade. Meu objetivo é trazer representatividade autêntica e mostrar para os leitores em geral que a vida de mulheres trans pode ser muito mais do que apenas dor, trauma e preconceito. Nós também temos direito ao romance, ao sucesso profissional e aos finais felizes.

Para mim, é uma honra e uma responsabilidade poder escrever histórias que quebrem estereótipos e que inspirem outras pessoas a olhar o mundo com mais empatia, amor e esperança. Ser lida por alguém que nunca teve contato com uma história trans é uma oportunidade de criar uma ponte: a chance de mostrar que, sob as luzes da Aurora Boreal, somos todos movidos pelo mesmo desejo de amar e pertencer.


9. Seu texto transmite acolhimento, como um abraço silencioso. Qual foi o feedback mais impactante, emocionante e significativo que você já recebeu até hoje?


O feedback mais significativo, e o que mais toca meu coração, veio de outras mulheres trans. Receber mensagens dizendo o quão incrível é ler uma história que finalmente traz representatividade para o gênero do romance e do Natal, sem apagar a magia, a força ou o poder do recomeço, é indescritível.

É a prova de que consegui alcançar o meu objetivo: mostrar que a nossa jornada também pode ser sinônimo de felicidade e esperança. Quando a comunidade que eu represento valida o meu trabalho, eu sinto que o livro cumpriu sua missão de ser um abraço caloroso para quem mais precisava.



10. O Natal costuma carregar memórias que aquecem mesmo nos invernos mais longos. Qual é a lembrança natalina que você guarda com mais carinho ou aquele detalhe simples dessa época que sempre faz seu coração sorrir?


Minha lembrança mais querida está ligada à construção da magia, ao lado da minha mãe. Na minha infância, não tínhamos condições de ter uma ceia farta ou decorar a casa como desejávamos. Por isso, a nossa maior tradição hoje é montar a árvore, decorar a casa e cozinhar para receber o espírito do Natal juntas.

É um ritual de gratidão. Cada luzinha, cada enfeite e cada prato preparado simbolizam o quanto nós percorremos. É o nosso recomeço anual, e com certeza, a cada ano que passa, criar as melhores memórias dessa época com ela é o que faz meu coração sorrir mais forte.


11. Você se lembra de quando começou a escrever? O que aquela primeira história dizia sobre quem você era?


Eu sempre tive essa vontade latente de escrever. Me tornei uma leitora voraz aos 14 anos, e desde então, as histórias florescem constantemente na minha mente e no meu coração. No entanto, o ato de sentar e realmente concretizar uma delas demorou.

Somente este ano, em 2025, encontrei a coragem necessária para ir em frente e publicar meu primeiro conto, 'Herdeira da Máfia'. Aquela primeira história falava sobre a ousadia de tomar as rédeas da própria vida, algo que, refletindo agora, ecoa muito a minha própria jornada. Era sobre a necessidade de assumir meu poder e a minha voz, tanto na ficção quanto na realidade.


12. Existe algum projeto, ideia ou história que já esteja planejando para o próximo ano?


Sim, com certeza! O próximo ano promete uma mudança completa de cenário e atmosfera. Se 'Derretendo Corações' nos levou para o frio contemporâneo da Lapônia, meu próximo projeto será um romance de época. Estou mergulhada em pesquisas e muito empolgada em explorar a elegância, os desafios sociais e, claro, os grandes amores que florescem em um tempo mais formal. Será uma oportunidade de mostrar um lado diferente da minha escrita, mantendo sempre o foco em personagens fortes e narrativas emocionantes.



13. Em Derretendo Corações, Noely cria joias que carregam significado, afeto e identidade. Se você fosse criar uma joia para representar a si mesma, como ela seria? Que material, forma ou detalhe carregaria a sua essência?


Minha joia seria um relógio de ouro em formato de borboleta. O ouro representa a preciosidade da nossa essência, que não se corrompe. Mas a forma e o mecanismo são o coração da minha história.

A borboleta simboliza o poder de se autotransformar, a coragem de passar pela metamorfose e emergir em sua forma mais autêntica e colorida. E o fato de ser um relógio é vital: ele me lembra que o tempo é um recurso precioso e que a nossa jornada é marcada pelos momentos em que escolhemos ser quem realmente somos. Seria um lembrete constante de que a transformação é um processo contínuo e que o meu tempo é agora.


14. Muitas pessoas encontram esse conto num momento em que precisam de aconchego. O que você espera que permaneça com o leitor depois da última página?


Eu espero que permaneça, acima de tudo, a esperança inabalável no recomeço. Quero que o leitor feche o livro com a certeza absoluta de que todos nós merecemos o amor. E não falo apenas do amor romântico, como o de Noely e Henry, mas do amor em todas as suas formas: o conforto da família que escolhemos, a lealdade da amizade e, o mais importante, o amor próprio. Se o conto puder inspirar alguém a ser mais gentil consigo mesmo e a acreditar na sua própria magia, minha missão estará completa.


15. Qual é o sua quote favorito de “Derretendo Corações?” Pode contar para gente?

Meu quote favorito, e o mais significativo, é o momento em que Henry Halonen finalmente se rende ao amor, percebendo que pode perder Noely por causa de seu medo e preconceitos. É o clímax emocional da história, quando o gelo dele se quebra.

A citação é esta: 'Eu sei que pedi para você ir, mas o meu coração... meu coração está te pedindo para ficar. Fique. E me ensine a ter o Natal dentro de mim, de novo.'

Essa frase é o resumo de toda a jornada. Ela não só expressa a declaração de amor, mas a rendição total de Henry à esperança, à magia e à oportunidade de recomeçar a vida e o Natal ao lado de Noely


Capa da obra "Derretendo Corações"
Capa da obra "Derretendo Corações"

16. E pra fechar com chave de ouro e em clima natalino, que mensagem você deixaria para quem ainda não leu Derretendo Corações, especialmente para quem anda precisando acreditar no amor, em recomeços e na magia do Natal?


Se você está precisando de um abraço neste final de ano, 'Derretendo Corações' é para você. Minha mensagem é simples, mas poderosa: não desista da magia.

Este conto não é apenas sobre a Lapônia e a neve; é sobre a prova de que o amor, a esperança e a gratidão têm o poder de derreter o gelo que carregamos no peito. É sobre encontrar a coragem de recomeçar, não importa o quão frio ou difícil o seu ano tenha sido.

Permita-se embarcar nesta viagem com Noely e Henry. Permita-se acreditar que o seu Natal também pode ser mágico, cheio de luzes e com o final feliz que você merece. Venha descobrir a Lapônia e, quem sabe, encontrar um pedacinho da magia que está esperando para aquecer o seu próprio coração.


"Derretendo Corações" se encontra disponível para compra na Amazon!

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Reportagem: Pollyana Trindade

Convidada: Manuella Monteiro

Fotografia: Manuella Monteiro


 
 
 

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