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POLLYANA TRINDADE

THE FAWKES

  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 14 de jul. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 15 de jul. de 2023


× Número de páginas: 165

× Autor: Anderson Valadares

× Editora: Pendragon

× Gênero: Fantasia, sobrenatural

× Classificação: +14


Numa pequena vila localizada próxima a uma floresta imensa conhecida como cemitério negro, onde há apenas duas ruas e dezesseis casas, a escuridão ronda os moradores, levando suas almas e enterrando seus corpos. Uma maldição antiga os faz usarem máscaras, sem nunca poderem revelarem o seu rosto, assim como os obriga a andar livremente somente durante o dia, tendo que se aprisionarem em suas casas para se manterem a salvo.


"O mundo acabou. As almas que ainda perambulam por aí são demônios que tentam nos levar para a desgraça."

Envolvente, a escrita de Anderson Valadares nos transporta para uma viagem imersiva rumo ao desconhecido, apresentando com maestria uma pequena vila esquisita que mesmo macabra, consegue encantar pela sua beleza peculiar.

Publicado em 2020, "A Vila das Máscaras" é o primeiro livro lançado do autor, porém, duvido muito que essa seja sua primeira história. Dá para sentir sua paixão pelo suspense e terror — principalmente — devido a algumas características que a obra trás como o elemento surpresa, uma pitada de humor negro, as cenas contendo certa violência — por mais que neste caso sejam sutis — e é claro: pela sua maneira de conduzir o medo, fazendo o leitor se assustar ou ficar aflito até com os mais simples dos problemas.


"Jamais imaginei que a morte conversasse com a pessoa antes de levá-la."

A obra me agradou em vários aspectos. Mas, o grande destaque na minha opinião foi a ordem de leitura bastante inovadora. A obra foi escrita de trás para frente, ou seja, os capítulos não possuem uma ordem cronológica. O autor dá uma sugestão de ordem, o que acredito ser a melhor para quem vai ler o livro pela primeira vez, porém, caso o leitor queira fazer sua própria ordem, é possível. Essa ideia foi muito criativa porque proporciona várias sensações diferentes, gerando assim diversas experiências num mesmo livro.


Henry, protagonista desta história, também conhecido como "Presente", sofre de amnésia e possui dificuldades em gravar principalmente memórias mais recentes, tendo que fazer anotações, desenhos e um truque de memorização a partir de números para conseguir se lembrar das trivialidades do dia-a-dia. Confesso que no inicio estava meio em dúvida se iria gostar ou não do personagem, afinal, por ser reservado e me arrisco a dizer até tímido, demorei para conhecer um pouco quem ele realmente era, assim como traçar sua personalidade. Contudo, a medida que fui avançando na história fui sendo conquistada pelo seu jeito gentil, cortês e maduro, se esforçando ao máximo não só para desvendar o grande mistério da sua vida: seu passado; como também para revelar aos moradores uma verdade que embora fosse dolorosa, iria acabar de uma vez por todas com todos os anos de angústia, sofrimento, medo e submissão.

Outro ponto que não posso deixar de comentar, ainda me referindo ao Henry, é como o autor soube retratar através do personagem o sofrimento e a rejeição que as pessoas não só que tenham a mesma dificuldade dele, mas todas as que são consideradas diferentes do comum passam, como as falas preconceituosas, a mentalidade em ver sua condição como um empecilho, tratando-o com indiferença, ou pior: como se fosse um louco ou incapaz.


"Era frustrante ser visto como um doente, um lunático, mas o pior de tudo era quando seus próprios pensamentos começavam a fazer com que você mesmo deixasse de acreditar no que viu."


Quanto aos demais moradores da vila, todos tiveram seu destaque e sua relevância para a história. Bem aproveitados, não senti que nenhum personagem foi deixado de lado, muito pelo contrário. No final o leitor se depara com a deliciosa sensação de pertencimento, como se conhecesse intimamente cada um. Para um livro que contém uma quantidade considerável de personagens isso é uma tarefa bem difícil.


"A Vila das Máscaras" retrata que a pior escuridão que possa existir está dentro de nós mesmos, afinal, o que somos capazes de fazer para defender uma crença? Nossa fé, em excesso e sem controle, pode acabar prejudicando os outros? Ultrapassar a linha tênue que separa a normalidade da insanidade pode ser mais fácil do que imagina...

A obra trás uma excelente analogia a alienação religiosa, conseguindo trazer fortes e assustadoras mensagens não só sobre doutrinação como também sobre liberdade.

A ideia de usar máscara quase todo o tempo, nunca revelar nosso rosto e consequentemente não possuir uma identidade; nunca sair da vila, não andar a noite, repetir todas as regras pela manhã com o objetivo de memorizar esses e vários outros costumes bizarros, por mais que pareça absurda para nós, para os moradores da vila que cresceram com essa crença e acreditavam nela veementemente sem nunca contestar, essa era a realidade. Era a maneira correta e segura de se viver. Assustador, não é?


"O bico de pássaro que cada máscara possuía mostrava almas quietas e impossibilitadas de expressar raiva, pena, ódio, tristeza ou qualquer outro sentimento, um silêncio avassalador e inquietante dominava o ar."

Contendo ainda um aspecto gótico que me agradou muito, a obra reúne características de vários gêneros que funcionam super bem: fantasia, terror, sobrenatural e suspense. É uma boa pedida para os que estão procurando uma leitura intensa e envolvente, que traz ainda como temática central a maldade, mas não aquela clichê que encontramos em diversos vilões por ai, mas sim, naquela que fica a espreita, esperando uma oportunidade para surgir, seja através de uma crença, uma atitude, uma escolha ou através de uma mentira.



Espero que tenham gostado desta resenha que fiz no capricho para vocês! Um forte abraço e até a próxima!



Informações extras:


Fotografias: Pollyana Trindade

Texto: Pollyana Trindade

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Onde adquirir a obra: Amazon | Site da Editora Pendragon









 
 
 
  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 6 de jul. de 2023
  • 4 min de leitura

× Número de páginas: 320

× Autora: Shari Lapena

× Editora: Record

× Gênero: Thriller

× Classificação: +16


O que você seria capaz de fazer para esconder um segredo? O que faria para proteger sua família ou alguém que você ama? Em "Alguém que Você Conhece" os moradores de um bairro aparentemente amigável e tranquilo da cidade de Aylesford, da região do vale do rio Hudson, se deparam com uma situação assustadora, digna de um verdadeiro filme de terror: o assassinato de uma das vizinhas, Amanda Pierce.

Principal suspeito do crime, Robert Pierce é um homem bonito e charmoso, porém, divide opiniões entre os vizinhos. Alguns o acham simpático, já outros, esquisito. Na realidade os seus vizinhos não o conhecem profundamente, não ao ponto de apostar o seu papel nesse homicídio brutal. A verdade é que por mais que todos pareçam amigáveis, nunca se sabe o que de fato está se passando pela mente humana.


Ao entrar em casa, quando se está fora da vista dos outros, cada família daquela acolhedora, mas peculiar comunidade, pode retirar a sua máscara, deixando-se sentir o sentimento de paz e tranquilidade, pois, assim que as portas se fecham já não é mais necessário contar mentiras, afinal, todos possuem seus segredos e o pior medo daquele que esconde algo é ser descoberto.


"Raleigh está começando a entender que todo mundo tem segredos. Ele viu o que as pessoas guardam em seus computadores, e a verdade é que nada mais o surpreende. Ele tem os próprios segredos, e os pais sem dúvida também têm os deles."

O que mais me agradou na história de Shari Lapena foi os personagens. Maduros, realistas e complexos, todos possuem problemas bem reais, me arrisco em dizer até comuns. Olivia Sharpe, por exemplo, se vê num verdadeiro dilema entre agir certo ou proteger seu filho, Raleigh, encobrindo os seus atos criminosos de invadir a casa de outras pessoas para espionar seus computadores e pregar a brincadeira de enviar emails a partir deles. Por outro lado, Paul (marido de Olivia) tem que tomar uma decisão difícil entre continuar escondendo o que sabe afim de ajudar um amigo, ou contar o que sabe para se livrar de uma acusação. Glenda, vizinha e amiga de Olivia, também possui seus próprios problemas, embora tente parecer o mais positiva possível. Seu filho, Adam, é viciado em álcool. Glenda já chegou a virar a noite cuidando dele para que não se engasgasse, enquanto o marido dormia uma tranquila noite de sono. Sobrecarregada, ela tem a impressão de que seu marido não se importa por ser bastante ausente e descuidado, chegando em alguns momentos a dar entender ter desistido da educação do filho.

Vários outros personagens também tiveram um momento de destaque onde tinham que escolher o rumo que gostariam de tomar em suas vidas, traçando assim, o seu futuro. Essas escolhas foram importantes não só para validar a personalidade e caráter dos personagens, como também o seu destino.



"Ele nunca havia sido violento antes, mas Amanda o olhava agora como se ela fosse um ratinho diante de uma cobra."

"Alguém que Você Conhece" não só entrega uma excelente trama, como também uma história intensa, repleta de abordagens atuais que precisam ser refletidas e debatidas principalmente no meio familiar como a importância de um acompanhamento psicológico, o quanto a educação dos pais ou o meio em que vivemos tem o poder de nos influenciar (seja pro bem ou pro mal); o quanto podemos confiar cegamente em alguém e nos deixar levar por aparências, chegando a nos comparar ou a idealizar a vida de outra pessoa; as consequências que nossos atos, por mínimos que sejam, podem refletir na vida dos outros; relacionamentos complicados, abusivos ou degastados pelo tempo; e até mesmo temáticas que envolvam a relação familiar como um todo, como a dificuldade de se criar um adolescente, os questionamentos que fazemos ao nos deparar com uma situação extrema como a Olivia, nos perguntando se não soubemos explicar direito o que é certo ou errado, ou então, se já não damos amor e carinho o suficiente...


"Ser mãe é muito estressante, Olivia pensa, olhando de soslaio para o filho mal-humorado sentado ao seu lado, largado no banco. Você faz o melhor que pode, mas, sinceramente, que controle se tem depois que eles crescem? Você não faz a menor ideia do que se passa na cabeça deles, ou do que estão fazendo."

Em meio a uma investigação de assassinato, o leito se depara com situações tão perturbadoras quanto. A medida que avançamos na história e nos aproximamos de solucionar o mistério juntamente com os detetives Webb e Moen, descobrimos revelações chocantes que nos leva a momentos de angústia e espanto, marcado por traições, reviravoltas de tirar o fôlego, surpresas e quebras de estereótipos.

De repente aquele personagem que você tanto gostava não parece alguém tão admirável assim. Do mesmo


modo, aquele que gerava desconfiança desde o inicio pode não ser o único responsável por toda a brutalidade. Talvez existam monstros piores que outros, escondidos debaixo de nossos narizes, esperando uma oportunidade para agir. Ou quem sabe tudo não tenha sido um acidente, resultado de uma explosão de raiva...Há inúmeras possibilidades.


"Enquanto lia, um sorriso começou a surgir lentamente em seu rosto. A polícia havia prendido alguém. E não era ele."

A realidade é que por mais que na minha opinião o final de "Alguém que Você Conhece" não tenha sido tão surpreendente já que em determinado ponto consegui formular uma teoria e felizmente estava certa a obra cumpriu o papel de mexer com o psicológico do leitor. Shari Lapena sabe como brincar com nossas emoções. A autora usou de diversos elementos narrativos como a troca de perspectiva, diferentes narrações, detalhamentos minuciosos e frases soltas no tempo certo para criar tensão, euforia e até um pouco de medo.


"Ultimamente, tem a impressão de que tudo aquilo que admitia como verdades absolutas — seu bom filho, seu marido fiel — precisa ser reavaliado."

Ainda falando sobre o final, a obra termina de uma forma que parece muito que haverá uma continuação, e caso seja verdade, ficarei muito contente em ler. Agradeço a Editora Record por ter enviado esse livro incrível! Esse com toda certeza não será o único livro que lerei da autora Lapena. Espero que tenham gostado desta resenha que fiz no capricho para vocês! Um forte abraço e até a próxima!



Informações extras:


Fotografias: Pollyana Trindade

Texto: Pollyana Trindade

Conteúdo disponível também no: Instagram

Siga a editora: @editorarecord

Onde adquirir a obra: Amazon | Site da Editora Record

 
 
 
  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 2 de jul. de 2023
  • 3 min de leitura


Ana Camarinha é carioca, nascida em 1992. Formada em Letras e pós-graduada em Escrita Criativa. Apaixonada por livros de suspense e romance, gosta de dizer que sua escrita surgiu na comunidade Só Webs, no Orkut.

Foi vencedora do prêmio LiTi de 2021 na categoria “Vozes do Brasil” com o livro “Em Quadrados” e ganhou segundo lugar no desafio de Halloween: Pena De Morte, com o conto “O sabor de uma vida”.

Atualmente, ela se expressa nas redes sociais dando dicas de escrita, compartilhando seu processo criativo e tudo o que for surgindo no caminho.


Seu livro "Em Quadrados" foi publicado pela Editora Flyve e anda fazendo bastante sucesso, principalmente no público jovem. Em uma entrevista exclusiva para o The Fawkes, Ana Camarinha conta curiosidades sobre sua vida pessoal, sua obra e sua carreira como escritora.


1 - Livros interativos e dinâmicos onde há uma espécie de conversa com o leitor, "joguinhos" e brincadeiras são bastante divertidos e dá um toque bem especial a obra. E embora estejam ganhando mais espaço, ainda não são comuns na literatura (infelizmente). O que a levou a querer introduzir este elemento em "Em Quadrados"?


Justamente, porque não é muito abordado. Quando criança, eu consumia livros com esse formato. Me deixava muito animada e curiosa. No entanto, nunca mais encontrei e quando encontro, normalmente, são livros internacionais. Então, eu quis fazer um brasileirinho, cheio de referências, nostalgia e com uma dose de mistérios.


2 - Você chegou a postar Em Quadrados no Wattpad, certo? Quando você decidiu que era hora de tentar de fato uma publicação?


Sim, foi lá que tomei coragem de voltar a publicar meus textos online. Quanto a publicação, costumo dizer que meus leitores decidiram. Claro que sempre sonhei em ter ele em versão física, mas se ele existe foi por conta dos leitores.


3 - Você acredita que a plataforma Wattpad tenha te alguma forma te ajudado a crescer como escritora?


Com certeza, eu conheci escritores incríveis por lá e me aproximei de vários leitores. Uma coisa interessante no Wattpad é que você realmente tem como dialogar e acompanhar os surtos que os leitores têm com a obra. É um máximo e eu sou muito grata pela plataforma.


4 - Quando era criança você já tinha o sonho de se tornar escritora ou isso foi algo que você foi pegando certo gosto a medida que foi crescendo?


Eu tive vários sonhos quando criança, desde pintora, arqueóloga até cantora. Sem dúvida, ser escritora sempre esteve por lá e não me abandonou em nenhuma fase.


5 - Qual é o pior e o melhor lado de ser uma escritora?


Como qualquer profissão, acredito que seja conseguir o seu espaço. No entanto, no Brasil, a literatura acaba perdendo para várias áreas e se torna um trabalho redobrado somado as pequenas oportunidades do mercado editorial.


6 - Você acredita que hoje em dia tenha mais mulheres escrevendo gêneros de suspense e romance policial do que antigamente?


Acredito demais. Acho que mais do que nunca, as escritoras estão conquistando o seu espaço com obras impecáveis. No suspense, então, a maioria que consumo são livros escritos por mulheres e te garanto que são perfeitos.


7 - Quais autores te inspiram?


Ultimamente, eu estou apaixonada pela escrita da Holly Jackson. Além dela, tem a Thalita Rebouças, Markus Zusak, Jennifer Lynn Barnes, Pedro Bandeira, etc.


8 - O que a levou a escolher a Editora Flyve para publicar o seu livro?


A transparência deles e a valorização dos escritores nacionais.



9 - Em relação a sua carreira de escritora, quais são seus próximos planos? Já tem um novo lançamento em mente?


Olha, eu costumo brincar que estou vivendo o sonho e, de certa forma, estou mesmo. Estou começando a ganhar o meu espaço e quero continuar entregando novas histórias para meus leitores. Então, no momento, estou trabalhando com a continuação de Em Quadrados.


10 - Para fechar esta entrevista de uma forma divertida, vamos fazer uma brincadeira? Em "Em Quadrados" Lucas começa a ter sonhos envolvendo pinturas com rostos de animais. Se você tivesse um sonho parecido com o dele, que tipo de pintura lhe causaria medo ou estranheza a ponto de começar a ficar preocupada? Pode citar estilo de pintura, um pintor famoso ou um quadro em específico que já exista...Fica a vontade!

Acho que pinturas com rostos deformados, isso sempre me deixou muito incomodada. Inclusive, existe uma história bizarro sobre um quadro chamado “O Homem Angustiado”. Com certeza, ela me deixaria mais angustiada e preocupada que o Lucas!



A obra "Em Quadrados" está disponível para compra no site da Editora Flyve (versão física) e em ebook na Amazon, incluído também no Kindle Unlimited!


Caso você tenha se interessado pela obra e quiser saber mais sobre, no meu Instagram se encontra disponível um conteúdo especial sobre a obra!


Siga a Ana Camarinha para ficar por entro de mais novidades sobre "Em Quadrados" e novos lançamentos!


Informações Extras:


Reportagem: Pollyana Trindade

Convidada: Ana Camarinha

Fotografia: Ana Camarinha, Pollyana Trindade

 
 
 

© 2023 - Pollyana Trindade

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