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POLLYANA TRINDADE

THE FAWKES

  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 31 de jan. de 2023
  • 5 min de leitura

× Número de páginas: 160

× Autora: Christine Féret-Fleury

× Editora: Valentina

× Gênero: Romance

× Classificação: +12


"Para a menina, e mais tarde para a adolescente, a livraria era o palácio das Mil e Uma Noites, o refúgio nas tardes chuvosas das quartas-feiras."

"A Garota que Lê no Metrô" não fala só de livros, mas também de mudanças, aprendizados e no quanto uma simples história pode impactar nossas vidas.

Cada um dos personagens têm seus próprios dilemas e problemas, mostrando que todos têm dificuldades a serem superadas, um passado doloroso ou uma importante decisão a ser tomada.


Nossa pequena, mas significativa história começa com uma garota chamada Juliette. Uma gentil e educada, porém solitária jovem, que percorre as ruas de Paris, tendo como maior e principal passatempo observar o que as pessoas estão lendo no metrô.

Sua rotina é um tanto monótona, e sua única amiga é sua colega de trabalho, Chloé.


"A Vida não é como uma amêndoa, você não encontrará a parte mais saborosa depois que quebrar a casca."

Sua vida, no entanto, ganha um novo sentido após se deparar com uma missão um tanto inusitada: virar uma mensageira, fazendo do mundo uma inesgotável biblioteca, distribuindo livros não para pessoas aleatórias, mas sim, para aquelas que ela julgar ser a escolha ideal.


Juliette é aquela protagonista que a princípio não damos nada por ela, mas no final já estamos todos apegados com seu jeitinho especial, sendo as vezes alguém totalmente tímida e em outras, um tanto emburrada, reclamando das pequenas trivialidades da vida.

De modo geral, acredito que foi a personagem que mais amadureceu ao longo do tempo, especialmente após fazer amizade com o "o homem de chapéu verde" e conhecer a história de Soliman (comentários sobre ambos personagens mais abaixo).

Juliette deixou, aos poucos, de ser aquela jovem que vivia apenas para observar as pessoas e esquecia de si mesma. Ela se permitiu conhecer e descobrir o que queria fazer, quais eram seus sonhos, suas motivações... E de certa forma os livros a ajudaram nesse processo. Em cada passo eles estavam lá, servindo como uma espécie de resposta para suas perguntas, ou um ombro amigo em uma situação difícil.

A autora aborda de uma forma bem sensível e realista o quanto algumas palavras, bons personagens e uma emocionante história podem mexer conosco, fazendo-nos repensar alguma atitude, refletir sobre uma determinada ação do passado ou até mesmo sobre o caminho que queremos percorrer a partir de agora.


"Ele fala dos livros como de seres vivos — velhos amigos, às vezes temíveis adversários, alguns o protótipo do adolescente provocador, e outros de senhoras idosas tecendo a sua tapeçaria ao pé da lareira."

Quando Juliette resolve, em uma manhã de Fevereiro, fazer um desvio numa rua vazia, sombria e ladeada por prédios rabiscados, ela se depara com algo peculiar que lhe chama atenção: uma placa de metal esmaltado com letras garrafais onde se estava escrito "Livros sem limites". Ela ainda não sabia, mas a partir deste dia tudo iria mudar, e digo isso não só pelas novas surpresas que apareceriam na sua vida, mas também pelas belas amizades que faria, inclusive com o dono do local, Soliman, e sua filha, Zaide.


"— Na página 247, tudo parece perdido. É o melhor momento, sabe?"


Misterioso e pai afetuoso, já esperava gostar de Soliman desde o começo, porém, não imaginava que fosse me apegar tanto ao personagem. Acredito que isso deve-se ao fato dele nos lembrar de alguém querido... Talvez um professor que sempre sabe o que dizer e

passe aquele ar de "sabe tudo", ou então um pai, tio, avô, que esteja conosco na medida do possível, dando o seu melhor para mostrar que se importa com nossos sentimentos, mas do jeito dele, com uma personalidade característica.


"— Uma Viagem é quando vamos a um lugar que não conhecemos."

Já Zaide, é uma garota extrovertida, alegre, esperta...Parece ser mais velha do que é devido a algumas de suas falas maduras. Seu sonho é conhecer o mundo e sair um pouco da "prisão" que o pai lhe colocou, temendo que algo de ruim acontecesse com ela, chegando a protegê-la de forma exagerada.



"Quando o homem de chapéu verde empurra a porta do escritório, Juliette solta um espirro. É como se o personagem de um romance tivesse saído das páginas de um livro e lhe dirigisse a palavra."

"O homem de chapéu verde", ou melhor, Leonidas, é um homem virtuoso e sábio. Começa a desenvolver uma certa amizade com Juliette após conhecê-la. Ele é quem dá os melhores conselhos e sempre parece dizer a coisa certa. Embora o personagem não tenha tantas cenas na primeira etapa do livro, ele foi fundamental para o desenvolvimento da protagonista e para o desfecho final da obra.


"— Nós nos conhecemos muito bem. Muito melhor, na verdade, do que pensa. Sabe, você não é a única a observar o que as pessoas leem no metrô."

"A Garota que Lê no Metrô" possui vários outros personagens significativos, mesmo que apareçam brevemente e tenham uma participação curta, como por exemplo, a idosa que folheia todos os dias um livro italiano de culinária e sorri; a garota dos romances que caí em lágrimas quando chega na página 247; o seu chefe, dono da imobiliária que trabalha e sua amiga Chloé, dona de uma personalidade forte e entusiasmada.

Descobrir quem eles são, ou melhor, qual desfecho irão decidir para si mesmos é o melhor da história. A todo momento a autora nos lembra que nós decidimos o nosso final. Somos os protagonistas da nossa vida. O que escolhemos têm consequência e afeta não só nosso futuro, como também o presente.


"— Nada é encorajador na vida. Cabe a nós buscarmos encorajamentos onde os nossos olhos, ou nosso entusiasmo, a nossa paixão... ora, onde qualquer coisa seja capaz de descobrir esses encorajamentos."

Em geral, a obra é leve. É aquele tipo de leitura que trás certa paz, especialmente para um leitor sonhador, apaixonado por todos os livros empilhados na estante. É aquele tipo de história que nos toca pela veracidade e delicadeza, cativando pela sensação que transmite de aconchego, de pertencimento.

Contendo ainda uma ambientação repleta de referências, o leitor se sente dentro das ruas de Paris, percorrendo cada trajeto ao lado de Juliette. Indico a leitura para todos os leitores, dos mais variados gêneros, afinal, esse livro é para você: o investigador, o romancista, o aventureiro, o dramaturgo, o caçador de recompensas, o futurista...



Por fim, agradeço a Editora Valentina por mais um mês de parceria. "A Garota que Lê no Metrô" com toda certeza entrou na lista dos meus queridinhos! E espero que entre na de vocês também! Um forte abraço e até a próxima resenha.



Informações extras:


Fotografias: Pollyana Trindade

Texto: Pollyana Trindade

Conteúdo disponível também no: Instagram

Siga a editora: @edvalentina

Onde adquirir a obra: Amazon (ebook e livro físico) e Loja Editora Valentina (livro físico)








 
 
 
  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 24 de jan. de 2023
  • 3 min de leitura

× Número de páginas: 136

× Autor: Anderson Soares

× Editora: Flyve

× Gênero: Fantasia

× Classificação: +10


O que você faria se descobrisse um cômodo secreto dentro de sua casa repleto de armas e equipamentos que, no mínimo, são estranhos e peculiares?


Nicolas é um jovem um tanto displicente com sua vida escolar. Sua vida se resume em ficar até tarde no colégio (como forma de castigo por não fazer seus deveres de casa), andar de skate e sair com seus amigos. Não há preocupações, muito menos perigo.

No entanto, após seu avô pedir para ele limpar a casa enquanto viaja no final de semana, Nicolas descobrirá um segredo de família que poderá não só colocar sua vida em risco, como a de toda vizinhança.



A obra possui muitos elementos interessantes. O grande destaque é a estética, que me lembra muito os filmes antigos, clássicos, que trazem um ar de aventura misturado com o sobrenatural, como "Jumanji" e "Zathura".


"— Se tem algo importante no seu pesadelo, cuidado para não fechar os olhos."

Com referências em desenhos animados e cultura pop, há muitos diálogos e trechos cômicos. O fato dos personagens serem adolescentes, na minha opinião, ajudou em tornar a obra mais divertida e dinâmica, afinal, não só acabamos nos identificando com alguns dos personagens, como também — mesmo sem querer — pensamos no passado, na época em que éramos jovens e fazíamos alguma besteira, ouvindo mais tarde um "Eu te avisei" de nossos pais.


"Ele tirou o celular do bolso e clicou no play, dando início a uma música animada que deixaria qualquer adulto indignado pelo ritmo e pela letra, ainda mais que estava muito alto. Diziam que ele ficaria surdo em alguns anos, mas valia a pena."

A relação de Nicolas com seu avô me chamou bastante atenção pelo companheirismo e carinho que tinham um com o outro. Senti falta, inclusive, de não haver mais cenas entre os dois. Adoraria vê-los juntos em mais cenas no futuro.

  • Pela forma como a obra termina (cuidado com o spoiler), como se estivesse "inacabada", no meio de uma ação e com um ar de suspense, deu indício de que teremos sim uma continuação.

Dafne, outra personagem importante na trama, me surpreendeu e muito. Particularmente eu gostei de sua personalidade desde o início, porém, não esperava que ela tivesse um crescimento tão grande dentro da obra. Confesso que fiquei contente com isso.



"Dafne podia ser a menina mais inteligente que conhecia, mas também era a mais irritante."

"A Primeira Ordem: Nada de Monstros no Primeiro Encontro" é um livro que se encaixa bem na categoria "leitura rápida". Bastante agradável, o enredo vai se desenvolvendo num tempo ótimo, conseguindo prender o leitor devido as várias descobertas que vão ocorrendo ao longo da leitura.

A ambientação é impecável, principalmente a casa — ou como imagino, uma mansão — do avô de Nicolas. O autor descreveu com tantos detalhes que imaginei as paredes, piso e decoração de cada cômodo sem esforço. Foi como se realmente estivesse olhando para uma imagem. E só para aguçar ainda mais a curiosidade de vocês, adoraria viver naquela casa!


"Ele adorava isso na casa do avô: ela dava medo. Dois andares, a faixada preta, o telhado pontudo e duas árvores sinistras de guarda frente à casa. O lugar parecia perfeito para um filme de terror bem sangrento, do tipo que era ótimo assistir em uma sexta de noite na companhia de um hambúrguer, batatas e um milk-shake."

Por fim, finalizo esta resenha dando meus parabéns (mais uma vez) a edição da Flyve. A diagramação é ótima, principalmente pelo tamanho das letras, e as ilustrações são fofíssimas.



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Texto: Pollyana Trindade

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  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 20 de jan. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 24 de jan. de 2023

× Número de páginas: 280

× Autor: Thiago Barrozo

× Editora: Flyve

× Gênero: Thriller

× Classificação: +16


"Shakespeare estava certo: a maioria de nós atira o passado no abismo, mas nunca se inclina pra conferir se ele está morto de verdade..."

"O Homem que Explodiu o Presidente" é um thriller alucinante com críticas sociais: a desigualdade social, a ganância, a sede pelo poder, a impunidade, descaso, e no quanto um desfecho (nesse caso uma tragédia) pode impactar a vida de alguém, transformando-a em uma pessoa completamente diferente.

Há também certa mensagem de companheirismo e amizade, mostrando o leitor os dois lados do ser humano: o bom e o ruim (o que há também certa referência com Yin e Yang) .




Após perder sua esposa e filho em um acidente de carro criminoso, muitas coisas mudam na vida do professor, Otelo. Inclusive, não foi apenas a sua família que ele perdeu naquele acidente, mas também a si mesmo.


"Dez segundos. Um futuro com cheiro de orvalho. Nove. Num campo verde, arborizado. Oito. O barulho de água correndo. Sete. Os pássaros cantando. Seis. Uma risada de menino. Cinco. Uma risada de mulher. Quatro. E eu esticando os braços. Três. Abraçando o mundo. Dois. Feliz. Um. Incrivelmente feliz. Zero. E então, a explosão."

Depois de encontrar um bilhete premiado no bolso de uma camisa (que ele comprou para dar de presente a um amigo), ele vê a oportunidade de mudar não só o desfecho de sua história, como também de Vivian, uma mulher grávida mantida em cativeiro.


Narrado por Otelo através de fitas, o leitor ainda pode montar sua própria ordem, não necessariamente seguindo um padrão.

A medida que vamos descobrindo mais sobre o passado do protagonista, assim como a história dos demais personagens, conheçamos a entender os sentimentos (principalmente) de Otelo em relação ao presidente da República, Fernando Messias da Silva; e na suas motivações em querer tanto se vingar.


"A qualidade da misericórdia não é forçada; ela cai como a chuva suave do céu sobre a terra."

Otelo para mim foi um personagem complexo, muito bem construído. Sabíamos que muitas de suas atitudes eram erradas, mas eu particularmente vi a imagem de alguém perdido, totalmente sem rumo. Um pouco desesperado, talvez.


Virando o "vilão" de sua própria vida, Otelo fez escolhas ruins para defender o que acreditava ser justo e certo, querendo fazer justiça com as próprias mãos, ou melhor dizendo: buscar vingança.

Não posso concordar com suas atitudes, porém, não consigo julgar ou detestar o personagem e isso foi o mais surpreendente.


O autor entrega uma nova perspectiva, mostrando o que leva uma pessoa a tomar uma medida extrema.

Com uma narrativa frenética e um desfecho impactante, "O Homem que Explodiu o Presidente" é uma leitura forte, visceral e instigante, ideal para os que gostam de uma ótima história.

Sinceramente terminei a obra com aquela sensação gostosa de saudade e confesso ter passado por uma certa ressaca literária, haha!



Curiosidade: a obra contém vários trechos e citações de Shakespeare, já que a mãe do protagonista era apaixonada pelo poeta e dramaturgo.


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Fotografias: Pollyana Trindade

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