top of page

POLLYANA TRINDADE

THE FAWKES

  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 2 de mai. de 2023
  • 5 min de leitura

× Número de páginas: 288

× Autora: Abigail Haas

× Editora: Valentina

× Gênero: Thriller

× Classificação: +14


"O que acontece em Aruba...Morre em Aruba."

Anna Chevalier é transferida (a contragosto) no meio do ano para a famosa escola de Hillcrest. Tentando não atrair a atenção de ninguém para si mesma, Anna se mantém isolada, sem ter nenhum amigo por perto. Seus planos era se manter solitária até terminar o colegial, afinal, o mundo dos populares, das líderes de torcida, jogadores de futebol e competições para ver quem era o melhor aluno não importava tanto quanto aparentava. Tudo não passava de uma pequena parcela na vida de todos. Havia mais coisas acontecendo fora dos portões do colégio.

Um dia, porém, Elise, uma das garotas populares, se aproxima inesperadamente de Anna. Criando uma forte amizade logo a princípio, as duas começaram a viver plenamente juntas, aproveitando ao máximo o agora, se divertindo, indo a baladas, vivendo novas experiências e principalmente: não se preocupando com o futuro.



"O Capelão da Cadeia adora falar sobre o momento da virada. Aquele em que escolhemos o caminho errado, o ponto a partir de onde não há mais volta. Isso deveria, supostamente, nos fazer refletir sobre quando tudo começou. Temos que nos conscientizar do que aconteceu, entender o erro em nossas atitudes. Assim sendo, revemos nosso passado, buscando os crimes e a consequências no decorrer de nossas curtas vidas até descobrirmos o momento crucial. A decisão que pode ter mudado tudo. Esse foi o meu. Se eu tivesse dito não, tudo teria terminado ali. Elise teria voltado a perambular silenciosamente com seu grupinho perfeito de amigas, e eu a almoçar sozinha na biblioteca, atormentada pela Lindsay até o último dia de aula. Nossos mundos provavelmente jamais se cruzariam de novo; continuaríamos apenas passando pela outra nos corredores e seguindo em direções opostas. Ela continuaria viva. E eu não estaria sendo acusada de matá-la."


"Morre Aqui" não possui uma linha do tempo linear. O livro vai alternando entre o passado e o presente, mostrando o que aconteceu não só antes do assassinato de Elise, quando os oito adolescentes já estavam na ilha, mas também nos apresenta a história dos personagens. A história de como eles viraram amigos.

A princípio Anna e Elise viviam num mundo só delas. Eram conhecidas por nunca interagirem com outras pessoas e por sempre compartilharem tudo entre elas, até mesmo as pequenas coisas, como: comprar dois colares iguais para que ambas tivessem o mesmo, usar a mesma fantasia no Halloween...



"— Você e a Elise não interagem com praticamente mais ninguém."

A amizade delas era algo invejável — a princípio — já que pareciam se preocupar verdadeiramente uma com a outra, agindo muitas vezes como irmãs. Contudo, há um lado um pouco doentio nesta história. Não quero dar spoilers, mas tenho que comentar sobre esta parte importante e crucial do enredo.

Anna e Elise eram melhores amigas e faziam tudo juntas. Essa frase sozinha não possui nenhum significado oculto ou sombrio, porém, se colocada no contexto da história como um todo, a situação muda. Isto porque as duas ficavam tanto tempo grudadas que pareciam depender demais uma da outra. Era como se não conseguissem viver sem a outra. E há vários trechos que elas comentam sobre isso:


"Sinto um calafrio de medo. Não posso perdê-la, nem mesmo um pouquinho. Tate me atraiu e me envolveu num tipo diferente de amor, mas eu sou dela também — e sempre serei. Se tiver que escolher..."

Mesmo após Anna começar a namorar o Tate, "O Menino de Ouro" como dizia Elise, a situação não tem tantas mudanças. Claro que Anna tinha seus momentos a sós com seu namorado, mas sabe quando temos a sensação de que algo não se encaixa? Pois bem...


Com o surgimento dos demais personagens que viriam a compor o grupo de amigos: Chelsea, Max, Melanie, Lamar e AK, a história ganha um toque mais divertido, com um ar mais descontraído. Vislumbrar as memórias do passado, apesar de dolorosas — já que sabemos que no presente Elise está morta — há certo aconchego. O clima de festejo, de juventude, de descobertas sobre o primeiro amor, as primeiras festas, o entusiasmo, os dilemas familiares que são compartilhados entre amigos...Tudo é tão realista que acredito que até mesmo o leitor se recorde de suas próprias lembranças de quando frequentava o ensino médio e passava pelas mesmas situações.


"Vejo a noite em flashes, brilho versus escuridão. AK agarrado a uma Chapeuzinho Vermelho bêbada; Chelsea em êxtase nos braços do Lamar; Melanie olhando ao redor, ansiosa, quando nos perde de vista; Tate, totalmente alheio aos olhares de admiração das garotas à nossa volta; e Elise, com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados, brandindo os braços no ar."

Narradora da história, Anna não só é carismática como também sedutora. Ela consegue atrair a atenção do leitor e fazê-lo sentir empatia por ela logo de cara. Nos solidarizamos com a situação complicada — e trágica — que ela se encontra e torcemos para que ela consiga provar sua inocência o mais rápido possível.


Anna é imprevisível. Confesso que houve momentos que duvidei de sua inocência, mas esses não duraram muito já que logo me pegava sendo fisgada novamente pelas suas palavras. No fim, tudo acabou fazendo sentido e fiquei bastante surpreendida com o desfecho da autora, afinal, devido as provas circunstanciais, ao promotor um tanto tendencioso e as inúmeras inconsistências do caso, todos pareciam suspeitos e poderiam ser o assassino.


Sem dúvidas, Abigail Haas soube mexer com nosso psicológico e sem perceber, somos influenciados pela forma como ela conduz a história. A expressão "nem tudo é o que parece" cabe bem em "Morre Aqui".


"Ainda sinto a falta dela, todos os dias. Eles estavam certos quando disseram que foi uma tragédia."

Acredito que esta história tenha conquistado fãs pelo mundo não só pela construção da trama em si e do encerramento, como também pelas abordagens trazidas. A obra fala de amizade na sua melhor e pior face. Mostra o quão ruim pode ser uma amizade movida a dependência emocional, ciúmes e possessão (mesmo que não intencional). Também aborda traições no mais puro realismo, como o caso de Tate, que ao descobrir que poderia ser incriminado juntamente com Anna, resolveu salvar sua própria pele e deixar a namorada sozinha, tendo que enfrentar a corte, a prisão, a solidão e os comentários ofensivos; a deixando à própria sorte para provar sua inocência.

"Morre Aqui" mostra o lado mais cruel do ser humano não só no sentido de tirar a vida de alguém, como também à caça às bruxas que a mídia faz em cima de uma pessoa, antes mesmo de ter certeza se ela é realmente culpada pelos crimes que cometeu.


"Era isso o que eles queriam, percebo, embora tarde demais. Eles não dão a mínima para a minha história, ou para apresentar uma nova versão dos fatos. Só querem me ver chorar e suplicar, desesperada. Eles querem um espetáculo."

No fim, não se trata da verdade. O sistema é falho, assim como nós, seres humanos. Somos movidos à vários sentimentos, inclusive a paixão, amor, ódio e vingança.

"Ela estava errada, todos estavam. Contar a verdade não faz a menor diferença, nem ser você mesmo."

Lembrando que "Morre Aqui" foi lançado em 2013, mas chegou no Brasil somente esse ano, sendo publicado pela primeira vez pela Editora Valentina! Espero que tenham gostado desta resenha que fiz no capricho para vocês! Um forte abraço e até a próxima!



Informações extras:


Fotografias: Pollyana Trindade

Texto: Pollyana Trindade

Conteúdo disponível também no: Instagram

Siga a editora: @edvalentina

 
 
 
  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 21 de abr. de 2023
  • 3 min de leitura

× Número de páginas: 245

× Autor: Alex Schulman

× Editora: Record, Verus Editora

× Gênero: Thriller

× Classificação: +14



A Casinha, uma propriedade solitária revestida de madeira, de cor vermelha e proporções estranhas, abrigou por muitos anos em seu interior uma família aparentemente feliz. Porém, as memórias que ela carrega são extremamente dolorosas.

Duas décadas antes, a casa a beira do lago registrou um acidente terrível que mexeu para sempre com o psicológico e o destino de toda a família.


"O peso do que está acontecendo neste momento é enorme, mas, claro, a maior parte já aconteceu. O que está se passando aqui, nestes degraus de pedra, as lágrimas dos três irmãos, o rosto inchado e todo aquele sangue, é apenas a última ondulação na água."

Neste thriller emocionante, o autor Alex Schulman descreve uma história intensa e profunda, repleta de camadas.

Em cada capítulo o leitor mergulha em uma linha temporal diferente, embarcando em uma viagem no passado, na infância dos três irmãos: Nils (o mais velho), Benjamin, Pierre (o mais novo) e seus pais; e o que decorreu no presente, onde eles retornaram a casa do lago para levar as cinzas de sua falecida mãe.


Embora o começo da leitura tenha sido um tanto confusa (na minha opinião) já que os eventos que são narrados não possuem uma ordem específica, conforme fui avançando os capítulos, comecei a compreender a dinâmica da trama e me senti presa na história, cada vez mais curiosa e ansiosa para descobrir o que aconteceu no passado e de como não só a mãe dos garotos morreu, como também o pai.


"Por que ele não pode intervir? Ele olha através da janela. Enxerga todos os pequenos cenários de sua infância. Esta paisagem foi onde tudo começou, e foi onde acabou. Ele não pode intervir porque encalhou aqui faz um tempão e não conseguiu mais avançar. Ele ainda tem nove anos, e os homens brigando lá embaixo são adultos, os irmãos que continuaram vivendo."

"Sobreviventes" aborda temas sensíveis de uma maneira bastante inteligente. Assim como os irmãos, muitas pessoas não têm consciência do que há de errado com sua família.

Aos poucos, à medida que vamos conhecendo sua rotina, costumes e o modo de lidar com os problemas comuns do dia-a-dia, é que vamos percebendo os abusos psicológicos que os irmãos passavam com seu pai, por exemplo, que os fazia competir entre si para ver quem era o melhor; ou os castigos excessivos, e às vezes até radical que a mãe infligia a eles; o relacionamento abusivo dos pais que era marcado por violência doméstica; e a forma precária em que viviam, não possuindo muita higiene.

À medida que os meninos vão crescendo e percebendo que a realidade em que viviam era marcado por negligência e violência, bem diferente dos seus colegas de classe, é que nós leitores também nos damos conta. Esse elemento surpresa fez total diferença na obra e deixou a leitura ainda mais emocionante!


"Benjamin começou a perceber que, além de a casa deles ser suja, as pessoas dentro dela também eram."

O relacionamento dos irmãos é outro ponto fundamental em "Sobreviventes". Cada um tinha sua própria forma de lidar com a realidade dura em que vivia, e também possuía seu próprio ponto de vista. Para Nills, por exemplo, o irmão mais velho, os demais irmãos lhe excluíam e ele não se sentia bem com eles. Já para os outros dois, a situação não era bem assim.

"Eles estavam juntos. Ainda havia momentos quando ele experimentava vislumbres do que eles poderiam ser."

"Sobreviventes" fala sobre sentimentos, relacionamentos familiares tóxicos e abusivos. Retrata o quanto as coisas que acontecem na nossa infância podem influenciar nosso futuro, especialmente na formação da nossa personalidade e modo de agir quando somos adultos. É uma história forte, mas necessária.


Um forte abraço e até a próxima resenha!

Informações extras:


Fotografias: Pollyana Trindade

Texto: Pollyana Trindade

Conteúdo disponível também no: Instagram

Onde adquirir a obra: Amazon


 
 
 
  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 26 de mar. de 2023
  • 6 min de leitura

Ronald de Aquino Bosio nasceu em Espírito Santo, em Abril de 2002. Em 2020, ingressou num seminário católico, com o objtivo de começar um caminho de estudos para se tornar padre. Após um ano, deixou a instituição, quando descobriu não ser essa a sua verdadeira vocação, dedicando-se a algo que sempre lhe despertou interesse: a escrita.

Ronald é redator e comentarista de cinema no site "A Odisseia". Sua paixão por enredos subjetivos e psicológicos, antropológicos e filosóficos deram origem a seu primeiro livro publicado, "Cidade dos Pecadores", uma história de terror e suspense publicado pela Editora Flyve.


Em uma entrevista exclusiva para o The Fawkes, Ronald conta curiosidades sobre sua vida pessoal, sua obra e sua carreira como escritor.


Você sentiu alguma dificuldade em colocar teu livro no mercado editorial por

conta do gênero da obra (terror)?


Eu senti um certo receio, por eu ter uma história com temáticas delicadas, banhadas em um gênero que é, ainda, um tanto quanto subestimado. Até porque, eu tinha entrado em

contato com outras editoras, para saber como eram os processos de recebimento de

originais, existência de competições, ou algo assim, e recebi respostas negativas.

Confesso que até perdi até um pouco do ânimo. Mas foi aí que encontrei a Flyve, o

berço ideal para “Cidade dos Pecadores”. Fiquei apaixonado pela forma de trabalho da

editora, por ver uma gama de gêneros publicados e ter muita transparência com os

processos. E cá estamos nós!


Você acredita que o gênero terror vêm ganhando destaque nos últimos anos na

literatura? Qual sua opinião sobre?

Com certeza! Eu sou uma pessoa apaixonada por terror. É um dos gêneros que mais me marca e o que mais gosto, justamente por sua versatilidade. Infelizmente, têm-se no imaginário popular que o terror é formado por uma história rasa e exagerada, principalmente no que se diz respeito à violência. E não é bem assim! Cada vez mais, temos visto enredos aterrorizantes com pautas sociais, críticas e muita complexidade, o que torna a experiência ainda mais rica. Arriscaria dizer que é o gênero que mais mexe com seu espectador, e por isso, pode ser ainda mais esgotado em suas possibilidades.


"Cidade dos Pecadores" vendeu super bem em sua pré-venda e tem conquistado o público pelas críticas religiosas, sociais e pela abordagem de temas polêmicos, mas necessários. Como tem sido lidar com o feedback dos leitores sobre tua obra?


Tenho estado mais ansioso para receber os feedbacks do que quando tinha meu livro em

pré-venda! Isso porque, “Cidade dos Pecadores” é uma história muito importante para

mim. Tem muitos aspectos pessoais, escondidos em sentimentos e angústias que todos

nós, um dia, passamos. Tudo isso, junto a uma história de múltiplas camadas e repleta

de pistas e plot-twists. Então, saber que alguém gostou e se envolveu com a obra, é uma

grande conquista, e me deixa extremamente orgulhoso por todo o processo. Ainda mais,

quando ouço as mais diversas interpretações que tiveram da obra, e comentários de

identificação com as dificuldades vividas por Louis ou outros personagens. Para mim,

essa variedade de sensações e experiências é a grande beleza da arte!


Para você, qual foi o tema que você sentiu mais dificuldade em escrever por ser

delicado ou lhe causar algum desconforto?


A religiosidade como um todo. Eu vim de um contexto católico muito influente em

minha vida, e juntar todas as referências que tenho para construir uma história um tanto

quanto polêmica por abordar diversos assuntos em contraste com a religiosidade,

principalmente no que tange a sexualidade, foi um trabalho que exigiu muito de mim.

Isso porque eu não queria ferir o catolicismo. Não é como se fosse uma revolta pós-

saída do seminário, como algumas pessoas próximas de mim já pensaram. Eu vi, e vivi,

muitas hipocrisias nesse ambiente. Em “Cidade dos Pecadores”, minha denúncia é

voltada a grande parte do povo que não pratica o credo que professa, e pior: despreza o

outro, o irmão próximo. E somente nesse aspecto foi que eu não pude deixar de pesar a

mão.


Você pensa em se aventurar em outros gêneros?


Penso muito! Eu escolhi o suspense/terror para meu primeiro livro, por ser um gênero mais próximo do meu tipo de narrativa, que já estava pré-concebida. Mas sou, antes de tudo, um contador de histórias! E quero explorar minha escrita em outros gêneros também. Meu estilo é bem mais dramático que qualquer outra coisa. Gosto de explorar as nuances de personagens reais e profundos... então, o próprio drama, um romance mais psicológico, distopia, são outros gêneros que se encaixariam muito bem com o tipo

de história que eu conto, e que ainda quero contar!


Como surgiu a inspiração para escrever "Cidade dos Pecadores"?


Tinha, desde meus dezessete anos, a ideia de escrever uma história em que um padre

fosse o personagem principal. Mas foi somente no segundo semestre de 2020, quando

ainda estava estudando no seminário, que dei ao que começava a se parecer com um

rascunho de uma história o espírito de indignação que permeia o que é “Cidade dos

Pecadores” hoje. Àquela altura, eu tinha percebido que eu estava mentindo pra mim

mesmo sobre quem eu era e quem eu queria ser. E quantas pessoas não viviam assim?

Quantas pessoas não se utilizavam da religião para validarem imagens de porcelana,

enquanto escodem suas maiores perversidades... É um livro que sai de angústias

pessoais e se estende a reflexões sociais universais.


Pode me contar alguma curiosidade sobre seu processo criativo?


Eu tinha cada capítulo e cada destino de personagem bem planejado. O final, por

exemplo, foi completamente mudado, em razão de como a narrativa vinha se

desenvolvendo até então. A história tinha aspectos muito mais mórbidos e perturbadores

para evidenciar, principalmente por parte de Alberto e Felício, a degradação da

sociedade como um todo. Durante a escrita, que durou de quatro a cinco meses, eu

percebi que esse não era o foco e o objetivo do livro. Eu tinha criado uma narrativa mais

intimista e poética, e iria contradizê-la com cenas gráficas e perturbadoras, sem tanta

necessidade. Assim, algumas subtramas como o passado do delegado, da relação de

desconfiança entre o prefeito e a esposa, o destino do Vale de Heu... tornaram-se menos

influentes, e mais abertos a interpretações.


Os personagens de "Cidade dos Pecadores" são bem falhos, repletos de defeitos.

Também possuem um lado bem perverso. Realistas, eles representam o que há de

pior no ser humano. Na sua opinião, qual é o pior personagem neste sentido? E

como foi desenvolvê-lo?


Sem dúvidas, o sacristão da comunidade, Josué. Eu o escrevi para ser desprezível, de

moral detestável. Ele é a representação de toda “boa pessoa”, que se diz seguidora de

bons costumes (importante ressaltar que pode ou não estar relacionada à religião); mas

que se afunda nas próprias mágoas e pecados, por se achar suficiente. Ou, até mesmo,

em nome de uma imagem pura e intocável. A hipocrisia, em todas as suas formas, é o

ponto alvo de “Cidade dos Pecadores”. E Josué é a personificação disso.



Sua história fala bastante sobre religião e doutrinação. De onde surgiu a ideia para

escrever sobre? Era uma temática que já planejava escrever ou surgiu

naturalmente?


Minha criação de berço foi na igreja católica. Eu tinha uma relação muito profunda com

a religião e todos os seus aspectos. Num determinado momento da minha vida, eu

literalmente me obrigava a estudar o catecismo, e Sagrada Escritura, a história da

Igreja... Tudo para melhorar ainda mais minha imagem de alguém apto para ser um líder

religioso, que era como pensava na época. Após passar um tempo inserido nesse

contexto, eu percebi que eu não estava sozinho... tinha muita gente se apropriando do

discurso da “Boa Nova” para sair beneficiado. Ou, até mesmo, para despistar as pessoas

de comentários acerca de “sexualidade duvidosa”. E eu sabia que isso não ia acabar de

forma saudável, para nenhum dos lados. Todos viam, mas ninguém queria assumir: até

que ponto os rigorismos propostos por uma instituição religiosa são capazes de segurar

tristezas, traumas e angústias? Tomando o pano de fundo cristão que veste “Cidade dos

Pecadores”, essa é a grande reflexão: os limites e perigos de se ater, desesperadamente e

com pouquíssima (ou nenhuma) humanidade, a leis e preceitos, destruindo toda e

qualquer concepção de amor. Inclusive, a divina.


Quais são seus planos para o futuro? Têm alguma nova obra em desenvolvimento?


Pretendo continuar me dedicando à escrita, como redator no site de cultura pop que

participo, o “A Odisseia”; e aperfeiçoando minha técnica cada vez mais. “Cidade dos

Pecadores” me mostrou que eu não só fui capaz de realizar um sonho e publicar um

livro, como de conquistar leitores e criar histórias memoráveis, que possam realmente

promover a reflexão e incentivar à mudança. E esse sempre foi o grande objetivo! Por

enquanto, estou só rascunhando ideias e buscando um novo enredo incrível para

desenvolver. Descobri que minha especialidade são livros com uma densidade poética,

repletos de camadas e com personagens problemáticos! Então, já dá para ter uma ideia

do que esperar! (Risos); Mas prometo que no primeiro sinal de novidade, corro para dar

um spoiler!


Vamos fazer uma brincadeira? Para fechar essa entrevista com chave de ouro, imagine-se como um morador de Vale de Heu. Como a maioria dos cidadãos, você começa a frequentar a igreja para se confessar ao neossacerdote Louis. Qual segredo você compartilharia com ele?


Eu brincava de padre quando era criança! Colocava um roupão de banho, pegava água

num pequeno copo em formato de taça, um biscoito maizena redondo e minha versão de

bolso da Bíblia, e rezava uma missa inteira só para minha mãe. Desde aquele tempo,

achava que Deus queria que eu fosse ordenado para, assim, ser capaz de ajudar Seu

povo a entender Seus ensinamentos. Hoje, vejo que essa não é minha vocação. Mas

ainda assim, independentemente de qualquer coisa, continuo podendo usar palavras e

histórias para fazer a diferença na vida das pessoas.



A obra "Cidade dos Pecadores" está disponível para compra no site da Editora Flyve (versão física) e em ebook na Amazon, incluído também no Kindle Unlimited!

Caso você tenha se interessado pela obra e quiser saber mais sobre, no meu Instagram se encontra disponível a resenha da obra e o reels mostrando todos os detalhes da edição!


Siga o Ronald Aquino para ficar por entro de mais novidades sobre "Cidade dos Pecadores" e novos lançamentos!


Informações Extras:


Reportagem: Pollyana Trindade

Convidado: Ronald Aquino

Fotografia: Ronald Aquino, Pollyana Trindade


Um forte abraço e até o próximo conteúdo!


 
 
 

© 2023 - Pollyana Trindade

bottom of page