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Entrevista: Venus Edain

  • Foto do escritor: Pollyana Trindade
    Pollyana Trindade
  • 16 de out. de 2023
  • 7 min de leitura

Natural da cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo, Venus Edain escolheu esse peculiar nome artístico por conta da admiração que tem por toda a estética e poesia que carregam os mitos da Deusa de mesmo nome. Nascida em 2001, autora é canceriana de carteirinha, violinista, romântica incorrigível e apaixonada por criar e contar histórias, tendo começado ainda pequenina, aos seis anos. Além de poeta e escritora por paixão e vocação, é publicitária e comunicadora por formação. Inspirando-se na música como sua terapia diária, às vezes, inventa de acordar no meio da madrugada e transbordar suas epifanias criativas em versos e poesias. Uma dessas resultou em um livro escrito em menos de um mês, "Histórias Fantasmas de Vênus", publicado pela Editora Ases da Literatura.


Em uma entrevista exclusiva para o The Fawkes, Venus Edain conta sobre sua vida pessoal, inspirações, curiosidades sobre sua obra e sua carreira como escritora.


01 - Quando você começou a se interessar por literatura, sobretudo a poesia?

Comecei a me interessar por literatura quando ainda era criança. Venho de uma família onde todas as gerações anteriores, com exceção da minha mãe, aprenderam a ler muito tarde e tiveram que sair da escola para trabalhar. Minha família sentiu na pele a falta de um estudo para poder ter uma garantia de um futuro um pouco melhor, então foi essencial o apoio deles na minha educação desde pequena, lendo livrinhos infantis, gibis, contos de fada... E então, quando pré-adolescente, mergulhei no mundo da música para me expressar e foi ali que o interesse na poesia começou a surgir. Afinal, o que é a música senão poesia no som?


02 - O que a poesia significa para você? O que a levou a querer escrever esse gênero?

Poesia significa, pra mim, expressão. Soa esquisito para alguns, mas muitas vezes não sei me comunicar por palavras ditas simplesmente – e não digo isso para parecer profunda ou algo do tipo, é só que falar por códigos e metáforas, para mim, é sempre mais fácil do que dizer certos sentimentos de forma nua e crua. O que me levou a escrever poesia foi a necessidade de poder desabafar sem ser julgada por isso – e, de quebra, falar de uma maneira que outras pessoas se identificariam com a história que eu estava contando também.

03 - Você acha que hoje em dia a poesia tem conquistado mais espaço ou acredita que ainda há certa dificuldade em conseguir fazer as pessoas se interessarem pelo gênero?

Acredito que a poesia está se popularizando, mas ainda em passos de formiguinha. As pessoas têm essa visão de que poesia, pra ser poesia de verdade, precisa ser sempre rimada, ou sempre utilizar palavras difíceis, como se você estivesse lendo algo do período do trovadorismo, e não é bem assim. Escritoras como Rupi Kaur e Amanda Lovelace têm viralizado e ocupado espaços incríveis na internet – e se tratando de mulheres na escrita e na poesia, isso é algo maravilhoso. Mas, no Brasil, sinto que nós poetas ainda não somos valorizados como deveríamos ser. O maior exemplo que vi quebrar essa barreira aqui no nosso país foi Ryane Leão, autora de “Tudo bela Brilha e queima”. Espero que, assim como a maravilhosa Ryane, mais de nós possamos crescer nesse meio.

04 - Muitas pessoas associam a poesia a leitores mais maduros devido a linguagem usada e a estrutura do texto em si. Você concorda ou acredita no cenário atual muitos jovens consomem a poesia e apreciam o estilo de escrita?

Acredito que o número de jovens consumindo poesia tem aumentado, sim. Eu sou um exemplo disso! Nasci em 2001, pertenço à geração Z. Quando pequena, eu via a poesia com outros olhos. Hoje, entendo que tudo que é expressão e tudo que é emoção, sensação, pode ser transformado em poesia. É, também, uma maneira de democratizá-la para a galera da minha geração.


5 - Quanto ao processo de construção de seus textos, como faz algum resumo ou possui algum processo criativo? Dá onde surge a inspiração para suas histórias?


A construção de meus textos vem de minhas epifanias criativas, e se inspiram principalmente na música e no mundo ao meu redor. Na maioria das vezes, é algo que aconteceu comigo, ou situações e coisas que vejo acontecerem com pessoas ao meu redor ou histórias que me contaram alguma vez. Essas situações me perturbam tanto, que fico pensando nelas por horas – principalmente de madrugada –, mas não sei como traduzir em palavras, não sei como falar ou quem se interessaria em ouvir. E aí ouço música, a pessoa cantando fala de algo parecido que vivi e é como se o artista estivesse falando comigo, dizendo: “vai lá, escreve o que você tá sentindo, transforma isso em uma boa história”. E então a poesia vem, em formato de uma história fictícia. Foi assim com Histórias Fantasmas de Vênus – a maior parte das histórias (quase todas) são coisas e situações que aconteceram comigo. Os álbuns folklore e evermore foram essenciais para que o livro existisse, Taylor me inspirou muito.

6 - Defina seus poemas em poucas palavras.


Meus versos são, no fim, fragmentos de um grande espelho. Quando se depara com eles juntos, você pode até fugir e mentir para si mesmo, mas a imagem gerada na sua mente reflete quem você é.


7 - Como escritora, qual foi a maior dificuldade que você se deparou até agora?

A falta de apoio do mercado literário nacional. É uma coisa que não me chocou – como publicitária e profissional de Marketing, eu já sabia o que esperar de uma indústria que se move na base de modas, trends e destruição de sonhos alheios –, mas ainda me surpreende o quão mercenário pode ser esse mercado. A verdade nua e crua é que não basta ter talento se você não tiver dinheiro pra investir no seu trabalho. Sinto dor por todos os jovens escritores que precisam de apoio e financiamentos e desistem de publicar seus livros por conta disso. Não é fácil, e as pessoas ainda julgam.


8 - Quais escritores te inspiram? Você tem algum poeta brasileiro da sua região (ou não) que você admira?

Rupi Kaur me inspirou muito a parar de ter vergonha de escrever poesia. Além disso, admiro muito a Ryane Leão, uma escritora nacional. Taylor Swift, que é uma cantora, também é compositora e o que ela faz com a caneta é arte pura, é literatura e poesia em forma de escrita. Sonho um dia poder conhecer essas mulheres e dizer o quanto elas me inspiram.



9 - Sabemos que o mercado é bastante competitivo. É difícil vender nossa história e conquistar nosso espaço. Sabemos que alguns gêneros são mais populares que outros, como os livros de suspense e thriller que estão bem alta ultimamente. Você sentiu receio ou medo de publicar "Histórias Fantasmas de Vênus" por achar que as pessoas não iriam se interessar? Que conselhos você daria a um jovem escritor que deseja embarcar no mundo da poesia, mas teme não conseguir notoriedade?


Não só senti medo, como quase desisti de vez de escrever qualquer coisa, pra sempre. Antes de ser descoberta pela editora que me publica hoje, eu costumava postar Histórias Fantasmas de Vênus na plataforma de leituras Wattpad – e vou te falar: ao mesmo tempo em que conheci pessoas incríveis e que hoje podem ser considerados meus melhores amigos, como também conheci pessoas sem tato e empatia nenhuma com o sonho dos outros. Certa vez, uma pessoa criou uma conta fake lá só para me mandar uma mensagem dizendo que “eu deveria desistir de escrever, porque minha escrita era terrível e eu nunca conseguiria publicar nada.” A pessoa ainda deu uma carteirada, afirmando que era melhor eu escutá-la porque ela estava cursando letras na UFMG (não quero ser convencida, mas veja bem: hoje em dia, só um de nós dois está publicando seu livro no Brasil e fora dele, e não é essa pessoa maldosa). Naquele dia eu fiquei tão revoltada, tão chateada, que chorei por horas e removi minha obra da plataforma. Meus amigos tiveram que me convencer a não fazer isso, mas me abalou demais. Há muita gente lá que se aproveita de você e do seu sonho pra fazer você trabalhar de graça para elas e ser escravo emocional das suas frustrações. Apesar de ter conhecido pessoas incríveis, sair dessa comunidade foi a melhor coisa que fiz, e não olho para trás.

Para os escritores novos: Essas coisas vão acontecer com vocês, principalmente na era da internet, onde todo mundo pode ser deus (ou melhor, o diabo) e ferir quem quiser sem mostrar as caras. Hoje, tenho plena noção da minha capacidade e sei exatamente qual o meu lugar, e vocês devem ter confiança e saberem quem são também. Foi uma situação ruim, mas que me fez amadurecer e aprender a lidar com as pessoas – nem todo mundo vai gostar da sua arte e nem todo mundo vai ser decente o suficiente para te dar uma crítica construtiva, e tudo bem. Escreva PARA VOCÊ, porque VOCÊ precisava tirar as ideias da sua mente, e não porque você quer agradar alguém. O que conquista as pessoas e, na mesma medida, incomoda outras pessoas opacas, é o brilho da autenticidade. Conheça a si mesmo muito bem para que essas coisas não te abalem.


10 - Para fechar essa entrevista com chave de ouro, me conta...Há alguma frase, citação ou trecho de música que te serve como motivação? O que significa para você?


“Se você soubesse o quão rápido vão te esquecer quando você morrer, não estaria deixando de fazer tanta coisa por medo do que vão pensar”. É a frase que inicia o prefácio de Histórias Fantasmas de Vênus, como um recado para mim mesma e para os meus leitores. Pergunte. Faça. Seja o primeiro. Erre. Não tenha medo.



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